sábado, 4 de outubro de 2008

Em dias de Circo todo mundo é obrigado a ser Palhaço...

Hoje é dia do circo de palhaços no país, oba!!!

No dia a dia eu sou trapezista... eu passo de um lado pro outro, arrisco minha vida... no meu trapezio não tem cama elástica.

No dia a dia eu também ando na corda bamba, não sei se caio no próximo passo...

As vezes eu domo animais selvagens e limpo também a sua bosta...

Sou também contorcionista, estico e dobro meu salário... afinal de contas, também tenho que manter as pernas firmes, pois as vezes sou bailarina, ando na pontinha dos dedos...

Mas hoje, hoje eu sou palhaço!

Eu e todos os meus amigos... eu tou feliz!

Eu canto, danço e pulo porque os donos dos circos me entregaram um arsenal completo de alegria: uns litros de gasolina, umas buzinas, bandeirolas coloridas e um monte de fantasia! Até meu filho de 7 anos com corpinho de 5 vai ganhar umas pinturas na cara... afinal, todo mundo tem que participar!

Todo mundo pode, todo mundo tem direito? Não! Todos nós devemos, obrigatoriamente, exercer nossa liberdade de voz... é proibido não fazer isso hoje!

Hoje tem goiabada?

Tem sim senhor!

Hoje tem marmelada?

Tem sim senhor!

E o palhaço, o que é que é?

Ladrão de mulher?

Não, sou eu, senhor! Eu que o senhor chama de cidadão brasileiro!

Sou eu que trabalho e dou dinheiro pro senhor comprar minha fantasia, sujar as ruas com bosta de animal selvagem e ainda me deixar assim, nessa alegria inebriante!

Hoje é circo, e dias de circo, todo mundo já sabe, é melhor que carnaval! Simbora Brasil!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008

"Nem passar Agosto esperando Setembro..."


Presença

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale sutilmente,
no ar, a trevo machucado,
a folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu te sentir
como assim - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!
(Mario Quintana)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Um salto diario na vida Severina...

A Vida e a Morte - Klimt.
A Meditação sobre o Tiête

Água do meu Tietê,
Onde me queres levar?
— Rio que entras pela terra
E que me afastas do mar...

É noite. E tudo é noite. Debaixo do arco admirável
Da Ponte das Bandeiras o rio
Murmura num banzeiro de água pesada e oleosa.
É noite e tudo é noite. Uma ronda de sombras,
Soturnas sombras, enchem de noite tão vasta
O peito do rio, que é como se a noite fosse água,
Água noturna, noite líquida, afogando de apreensões
As altas torres do meu coração exausto. De repente
O óleo das águas recolhe em cheio luzes trêmulas,
É um susto. E num momento o rio
Esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas,
Ruas, ruas, por onde os dinossauros caxingam
Agora, arranha-céus valentes donde saltam
Os bichos blau e os punidores gatos verdes,
Em cânticos, em prazeres, em trabalhos e fábricas,
Luzes e glória. É a cidade... É a emaranhada forma
Humana corrupta da vida que muge e se aplaude.
E se aclama e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo,
Está negro. As águas oleosas e pesadas se aplacam
Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.
É noite. E tudo é noite. E o meu coração devastado
É um rumor de germes insalubres pela noite insone e humana.
(Lira Paulistana, Mario de Andrade)
Suicido-me...
E aos que lerem, não morram de susto acreditando ser uma carta de aviso de morte, pois o foco é a Morte Diaria, essa morte que mata a cada minuto de vida morbida!
O foco mesmo é essa necessidade de um suicidio às avessas, de um pulo num abismo de vida!
Vida, vida... eu entendo é nada!
Esse negocio que é grande e que se vai com a facilidade mais simples de ser explicada, pois o Além é sempre explicação... que mané Além? Mas que o quê? Quê?
Doses homeopaticas de café, chocolate, cigarros, cervejas. Doses semanais de anti- inflamatorios de realizaçao profissional. Doses esporadicas de morfina de paixões. Oculos escuros durante a noite, para não enxergar... Mas Morte Diaria é irremediavel...
Um vivo que deseja morrer é o tipo humano mais decidido e corajoso de que ja ouvi falar.
E um morto que deseja viver? Faz o que? Faz o que? Faz-me rir!
Essa Morte que me espreita e que me leva diariamente... que me acerta com cacetadas de realidade cruamente viva, ela vive mais que a propria Vida!
Ei, Além, você que pretensiosamente se coloca como explicação, vê se humildemente me mostra um caminho para um salto diario de Vida nessa Vida Severina!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

E como se diz o contrario de Solidão?


cueillete - Michel Rauscher


Ser gente é uma coisa estranha! Não sei se é ser gente simplesmente ou se é o "querer ser gente" que nos faz assim sonhadores, verdadeiros arqueologos à procura cuidadosa de vestigios de humanidade, fosseis de verdade, migalhas de companhia...
Que grande invenção foi essa de SER ser humano? Não! Isso é uma engenhoca sem o menor planejamento, e o pior, com a exclusiva utilidade de fazer crescer teias de aranha.
Dentre todos os mecanismos falidos dessa geringonça, acho que aquele que funciona tentando enviar ilusões para a Solidão é o mais problematico de todos. O ser humano é sozinho, e passa a vida inteira ludibriando a Solidão, acreditando que isso é condição para uns pobres coitados...
Não funciona, não funciona... qual o contrario de Solidão? Companhia? Muito pouco! Companhia é muito pouco para a devastadora Solidão... seria bonito assumirmos nossa condição, mas essa consciência plena é muito além do que a maquina do corpo pode aguentar.
E é bem assim que a gente funciona: remando num barco sozinho, se contentando com a beleza das pétalas das flores que caem por perto e sonhando com as que ainda não se aproximaram.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

a arte de bordar

Ponto sem nó - Alice Ruiz

você não dá
ponto sem nó
ponto cruz
ponto cheio
ponto ajour
jura que não
vive sem nós
mas nunca diz
a que veio
mon amour
nosso enredo enrolado
todo emaranhado
tecido por linhas tortas
foi desfiado
a trama é toda sua
personagem principal
quanto a mim
resta o papel vilão
do ponto final