terça-feira, 4 de maio de 2010

Forma e conteúdo

Quando é pra dizer importa o quê?

Quando é pra dizer, o que importa?

Quando é pra dizer o que importa?

Quando é dizer pra o que importa?

Quando dizer é pra o que importa?




Importa quando é pra o que dizer?


Importa dizer quando é pra quê?



Será que digo "como" ou "o que digo"?

Será que digo "o que digo" ou digo "como"?

Será que é a margem do rio ou será o rio da margem?

Será que quem constrange é quem liberta?

Será que quem liberta é quem constrange?

Será que é forma ou é conteúdo?



E se é forma quando é conteúdo?

E se é conteúdo quando é forma?

E se se diz violenta a margem, como é rio sem margem?

E como é forma sem conteúdo ou conteúdo sem forma?

terça-feira, 2 de março de 2010

Sem astros

"O mato desconhecido é anonimato?
O pequeno viaduto é um abreviaduto?
Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente?
Quem vive numa encruzilhada é um encruziléu?" (Mia Couto)

Quem não tem astros é um desastrado...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Quando é amor é foda!



Só digo uma coisa: quando é amor é foda!

Eu posso dizer isso? Posso!

Agora, não me venha com maiores perguntas do tipo "quando é amor?" "e como é amor?" "o que é amor?"

Eu digo e repito que eu só tenho a dizer que "quando é amor é foda"... o resto todo a gente só sente e não sabe a medida!

Como todas as coisas que simplesmente são sem medida, como o céu e como o mar....

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

La musique

"Na música, a mediação da natureza e da cultura, que se realiza no seio de toda linguagem, torna-se uma hipermediação: de ambos os lados os ancoramentos são reforçados. Instalada no ponto de encontro entre dois domínios, a música faz com que sua lei seja respeitada muito além dos limites que as outras artes evitariam ultrapassar. Tanto do lado da natureza quanto do da cultura, ela ousa ir mais longe do que as outras. Assim se explica o princípio (quando não a gênese e a operação, que continua sendo, como dissemos, o grande mistério das ciências do homem) do poder extraordinário que possui a música de agir simultaneamente sobre o espírito e sobre os sentidos, de mover ao mesmo tempo as ideias e as emoções, de fundi-las numa corrente em que elas deixam de existir lado a lado, a não ser como testemunhas e como respondentes."
(Lévi-Strauss, O cru e o cozido, p. 48. In: Cult, 142, p. 41)

Reflexões acadêmicas I

Tenho algumas coisas para levar da vida acadêmica
Para levar não, para carregar mesmo:
caixas pesadas de chumbo de livros rabiscados em que os rabiscos pesam mais que tudo;
calendários com datas que correm muito mais que minhas pernas;
uma corda sem fim que amarra meu juízo e aperta meu pescoço, sorte que eu ainda não dei meus pulinhos!
Por enquanto, é tudo!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

a nadar

Esse grande amor é nada!
Nada é grande ou o quê?
Não sei!

Só sei que nada!
Nada, nada, nada...
Não se afoga nem a pau

Não morre na praia
Nada, nada e nada

Tem pulmão
Tem fôlego
Encontra rio?

Eu rio... eu nado... eu acabo por ir a mar e amar...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Receita de Sonho com recheio de Beijinho Picante

Ingredientes:
1l de expectativa
3 colheres de sopa de ilusão
5kg de encantamento
5 colheres de sopa de fermento "Real"
500g de admiração
1 pitada generosa de desejo sexual forte

Modo de preparo:
Junte os 5kg de encantamento com o fermento e reserve, deixe a massa crescer indefinidamente.
Cozinhe 1l de expectativa com as 3 colheres de ilusão em fogo brando ou em banho maria, se preferir. Quando ferver, adicione 1 pitada de desejo sexual forte e reserve.
Em seguida junte tudo e leve ao forno pelo tempo que for preciso.
Decore com admiração a gosto.

Bon appétit!